Flávia Baxhix – Por trás da foto

Flávia Baxhix

Por trás da foto é uma série de entrevistas com os fotógrafos que fazem parte do acervo da Saudades para falar de fotografia, arte e inspiração. Este mês conversamos com Flávia Baxhix.

 

Quando a fotografia entrou na sua vida?

Quando criança eu achava que a fotografia era mágica! Me fascinava ver meu pai ou meu avô fotografando a família. Ganhei minha primeira compacta Kodak do meu avô em um Natal, tive a sensação de estar com o mundo nas mãos!

Nunca mais deixei de ter uma câmera comigo. Fotografava os amigos, a família, os dias na faculdade… Mas eu não tinha conhecimento algum da técnica básica da fotografia, eu usava o modo automático das câmeras! Quando me mudei para Araçatuba há 13 anos, não tive chance de dar continuidade à minha carreira na área da fonoaudiologia, então migrei para a gastronomia. Trabalhei com pâtisserie por alguns anos. O negócio cresceu rapidamente, e um dia me dei conta que precisava melhorar as fotografias que eu fazia dos meus doces. A essa altura eu já tinha uma câmera semi profissional, mas continuava usando o modo automático. Coincidentemente, na mesma semana, uma amiga convidou-me para fazer um curso de fotografia no Senac. Já na primeira aula senti que meu caminho mudaria. Em 6 meses fechei meu atelier de doces, investi na compra de equipamentos fotográficos e cursos e aqui estou eu, a cada dia descobrindo novos rumos.

O que te inspira para criar?

Meu processo criativo é despertado pelo meu estado de espírito. Quando fotografo um espetáculo, o simples fato de estar de frente para o palco com a câmera montada já me inspira várias idéias de ângulos. Já sei como quero captar a luz daquele palco antes mesmo que o show comece. A expressão corporal dos artistas me ensina muito sobre o momento certo de clicar, qual emoção capturar. Eu procuro sempre colocar vida nas minhas imagens, fazer com que o público sinta a energia que foi dispersada durante o show. Por isso a fotografia de espetáculos me hipnotiza tanto, as emoções ficam à flor da pele!

Registrar a cultura de um lugar que visito, a arte em todas as suas expressões localizadas naquele lugar, tudo me inspira… As cores, os cheiros, os desafios… Num dia comum, fora de espetáculos ou viagens, é algum sentimento que me faz produzir. Analiso sozinha o que preciso externar.  Às vezes, durante uma leitura, desenho imagens na minha mente como se eu estivesse ilustrando o texto e então tento reproduzí-las na minha fotografia.

Quem são seus fotógrafos e artistas preferidos?

Entre os clássicos, sou absolutamente apaixonada pelos retratos do fotógrafo Félix Nadar, ele é uma grande referência para mim. Também aprecio muito a obra de August Sander, Paul Strand, Cartier-Bresson e Ansel Adams. Entre os fotógrafos contemporâneos, Thomas Farkas, Marco Aurélio Olímpio, Araquém Alcântara, Robert Mapplethorpe e Francesca Woodman são alguns deles. Na pintura, Vincent Van Gogh e Eugène Carrière; na escultura, Auguste Rodin, Camille Claudel; na música, Beethoven, Claude Debussy, Camille Saint-Saëns… e sim, Metallica!

Como você descreveria seu estilo?

Apesar de ter uma estética muito definida do que gosto quando crio uma imagem, aprecio transitar por várias áreas. Atualmente venho trabalhando em um projeto conceitual que carrega todas as minhas inquietações, mas quando vejo as imagens que faço de palco ou de paisagens, também me vejo lá dentro delas, dizendo a mesma coisa que digo no meu projeto autoral. Então acho que meu estilo é não ceder ao mundo tecnológico em detrimento das minhas convicções.

Viajar é importante para você? Como viajar se relaciona com a fotografia?

Posso viajar dentro do meu próprio quarto, nas minhas ideias, nos meus anseios… Mas quando tenho oportunidade de por o pé na estrada eu não penso duas vezes. A quebra da rotina, o contato com novas culturas, o caminhar solitário e anônimo, tudo isso estimula meu processo criativo.

Sabemos que Paris é especial para você, por quê? 

Bom, respeito todas as crenças, e a minha me permite saber que a França é muito mais que um país distante ou o berço de quase toda a arte que aprecio… França é meu lar de muitas vidas! 

Já sabe qual é o próximo destino?

Pretendo visitar a Itália para dar sequência ao meu projeto com fotografia de belas artes!

Tem algum projeto fotográfico em andamento?

Sim, há um projeto no qual ressignifico fragmentos de esculturas através da composição da imagem e humanizo o que esses fragmentos refletem através da fotografia conceitual. Está há 3 anos em desenvolvimento e nem sei se um dia chegará ao fim.

Conta pra gente qual sua foto favorita no acervo da Saudades?

Eu fiquei muito feliz com as imagens que Saudades escolheu para dispor em seu acervo. Elas mostraram um lado de mim um pouco escondido. Acho que Les Amants é a mais próxima do que amo fazer e me desperta bons sentimentos.

Conheça o trabalho da fotógrafa Flávia Baxhix no acervo da Saudades.

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